Por, Tamara Muniz
Novo processo criativo do grupo de dança aponta para a construção de um espetáculo que, por meio dos corpos, das cores, da música e do movimento, pretende narrar diferentes dimensões da experiência negra e da cultura afro-brasileira.
O Afixirê se prepara para dar início a um novo processo artístico que terá como caminho a consolidação de um novo espetáculo de dança. A performance surge como parte de uma construção que atravessa história, identidade, memória, resistência e celebração da cultura afro-brasileira, transformando os corpos e os movimentos em instrumentos para contar uma narrativa sobre a resistência negra.
Mais do que apresentar uma sequência marcante de dança, a proposta busca construir uma narrativa cênica capaz de provocar reflexões e, ao mesmo tempo, celebrar a existência povo negro. Em cena, os corpos assumem o papel de contadores de histórias que atravessam gerações, carregando memórias, referências culturais, experiências, assim como também, diferentes formas de resistir.

A criação parte da compreensão de que o corpo também é lugar de memória. Cada movimento pode carregar uma história, cada expressão pode revelar uma experiência e cada presença em cena pode representar uma forma de afirmação e pertencimento.
Nesse percurso, o Afixirê utiliza diferentes elementos da linguagem da dança para construir essa narrativa. Corpos, cores, música e movimento se encontram para criar uma experiência artística que dialoga com a cultura afro-brasileira e com as múltiplas dimensões que compõem a experiência negra. Para além disso, se apresenta junto, à celebração, reconhecendo as marcas, o colorismo de uma trajetória histórica sem deixar de evidenciar a potência, a beleza e a continuidade da cultura negra, como protagonista da construção desse país.
Ao colocar a negritude no centro de sua própria narrativa, a criação busca afirmar a presença, valorizar a identidade e reconhecer a cultura afro-brasileira como parte fundamental da formação social e cultural brasileira. A performance representa, portanto, mais uma etapa no percurso artístico do Afixirê e aponta para a construção de um novo espetáculo. Um trabalho que nasce do desejo de transformar histórias em movimento e memórias em presença, e manifestar a alegria do povo negro em viver a plenitude de sua própria existência.
“O novo espetáculo do grupo Afixirê, diferente do que a gente vinha construindo antes, que tenha essa pegada mais religiosa, esse traz muita alegria, muita exaltação da cultura afro-brasileira, de empoderamento negro, um espetáculo bem feliz e com muitas surpresas dentro dele”. (Marlon Brendon)


